Mauro Espíndola [Rio de Janeiro, 1962], designer gráfico desde 1982, inicia sua trajetória em artes visuais
no início dos anos 90, quando passa a frequentar um grupo sob orientação do artista visual Luiz Ernesto.
Essa experiência com o grupo resulta em algumas mostras coletivas e na primeira individual do artista,
intitulada Cor e Coreografia, onde investiga as possibilidades pictóricas de fusão entre as expressões
da cor e do movimento coreográfico. Logo a seguir, frequenta o ateliê livre do Museu de Arte Moderna
do Rio de Janeiro, com a orientação dos artistas Luiz Áquila e de Alair Gomes.
É premiado no II Salão de Artes da UFRJ e participa do XVI Salão Carioca de Arte.
Em 1995, na segunda exposição individual na Casa de Cultura Laura Alvim [RJ], apresenta as primeiras
pesquisas com anatomia e dissecação do corpo humano. A computação gráfica aplicada ao trabalho de design
é incorporada à produção artística, com a utilização de imagens radiológicas e fotográficas manipuladas digitalmente.
Na segunda década dos anos 90, o artista introduz novas reflexões acerca do corpo e apresenta, na mostra individual
Pequenos Ensaios Temáticos, Espaço Cultural dos Correios [RJ], uma síntese de ideias em processo de mutação.
Contaminado pelas influências científicas e tecnológicas que marcam o final do século XX, o artista parte para a
criação de um heterônimo, Dr. Victal, e elabora ideias conectadas com um insólito cenário contemporâneo, marcado
por criogenia, clonagens, próteses e transplantes. Desse pensamento resulta uma série de objetos, instalações e
vídeos, vinculados ao conceito do corpo em transformação, a partir de observações a respeito de processos de cura
e de longevidade desenvolvidos por centros de pesquisa médica e massificados pela mídia. Victal & Sons é o título
das individuais de 2002 na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e, em 2005, no Espaço Cultural Sérgio Porto,
ambas no Rio de Janeiro. Torna-se flagrante, na concepção dos trabalhos do artista, o contraste entre a utilização
de formas arcaicas em detrimento de conceitos apontados para o futuro da ciência, com um indisfarçável desejo
de provocar discussões a propósito da obsessão humana sobre sua própria natureza, desde a alquimia medieval
aos tempos atuais.
A vídeo-instalação e a vídeo-escultura são acrescentadas ao seu repertório, como novos suportes de seu contexto
poético e, atualmente, investiga a natureza humana em seus perfis psíquicos, éticos e culturais a partir de
pesquisas que aproximam arte e tecnologia, gerando experiências híbridas e construções anatômicas com o próprio corpo.
A exposição individual auto_psy_lab, realizada em 2008 no Centro Cultural Oi Futuro, Rio de Janeiro, propõe uma
experiência imersiva em um laboratório gerado por um conjunto de desenhos, anotações, objetos cinéticos, e
imagem em movimento.
Um percurso dentro da experiência ambígua entre real e imaginário, formado por anatomias que atravessam profundamente
a identidade de Espíndola como cobaia de si mesmo, consiste na argumentação apresentada recentemente na sua última
mostra individual, The Mirror Method, na galeria Durex Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro.
|
Mauro Espíndola [Rio de Janeiro, 1962], graphic designer since 1982, starts his trajectory on visual arts in the early 90`s, when joins a group oriented by the artist Luiz Ernesto. From this experience results some group shows and his first solo show called Cor e Coreografia, an investigation about pictorical possibilities of fusion between the expressions of color and choreographic movement. After that, attended to Modern Art Museum of Rio de Janeiro free atelier group, oriented by the artists Luiz Áquila and Alair Gomes. Awarded at the Second Art Salon of the Federal University of Rio de Janeiro and participates of the XVI Carioca Art Salon. In 1995, on his second solo show at Casa de Cultura Laura Alvim [RJ], presents the first experiments about anatomy and dissection of the human body. Graphic design is incorporated on his artistic process, with the use of radiological and photography images digitally manipulated. In the second decade of the 90’s, introduces new reflexions about human body in the solo exhibition Pequenos Ensaios Temáticos at Espaço Cultural dos Correios [RJ], a synthesis of ideas in mutation process. Contaminated by scientific and technological influences that mark the end of the XX century, the artist creates a heteronomous called Dr. Victal, formulating ideas connected with an unusual contemporary scene that is marked by cryogenics, cloning, transplants and implants. From these thoughts follow a serie of objects, installations and videos, linked to the concept of body transformation from observation regarding healing and longevity processes developed by medical research centers market by mass media. Victal & Sons is the name of the solo shows in 2002, at Escola de Artes Visuais do Parque Lage, and in 2005, at Espaço Cultural Sérgio Porto, both in Rio de Janeiro. Becomes evident, in the artist’s works conception, the contrast between archaic forms and the concepts that points to the future of science, with an undisguised desire to provoke discussions of human’s obsession about his own nature, since medieval alchemy to modern times. Video-installation and video-sculpture are added to his repertoire as new supports for his poetic context and currently investigating the human nature in its psychological, ethic and cultural profile, from researches that approches art to technology, creating hybrid experiments and anatomical structures with his own body. The solo exhibition auto_psy_lab, in 2008, at Centro Cultural Oi Futuro, Rio de Janeiro, proposes an immersive experience into a laboratory generated by a set of drawings, notes, kinetic objects, and moving image. Suggesting an way to go inside the ambiguous experience between real and imaginary, formed by anatomies that deeply crosses Espíndola's identity as laboratory test on himself, consits the argument put forward recently in his latest solo exhibition, The Mirror Method, at Durex Arte Contemporânea gallery, in Rio de Janeiro.
|